domingo, 1 de agosto de 2010

Veja sobre o VII Macro-Jê e III Encontro Tupi

Announcement

Maiores informações visite o SITE: http://www.encontrosdolali.unb.br/

"The staff of the Laboratório de Línguas Indígenas (Indigenous languages lab) of the University of Brasilia is very happy in hosting for the second time a Macro-Je Meeting and for the third time an International Meeting on Tupian Languages and Cultures, since these meetings have in the last years become two important forums for the discussion of scientific research on language and culture of the Macro-Je and Tupian peoples and have enhanced the interaction of linguists with anthropologists, archeologists, and other scholars, thereby stimulating a rich amplification of the knowledge on Macro-Je and Tupian languages and peoples.

In this opportunity we congratulate Prof. Dr. Ludoviko dos Santos on his initiative in organizing the Macro-Jê forum ten years ago. The Indigenous Languages Lab, which is a specific place in the University of Brasilia for the study of the Indian languages under the perspective of anthropological linguistics, with the realization of the 7th Macro-Jê will commemorate the ten years of this scientific forum.

Aryon Dall’Igna Rodrigues
Co-ordenador do Laboratório de Línguas Indígenas
Ana Suelly Arruda Câmara Cabral
Co-ordenadora do Laboratório de Línguas Indígenas
Instituto de Letras"
(Retirado do SITE http://www.encontrosdolali.unb.br)
Universidade de Brasília

terça-feira, 29 de junho de 2010

Acompanhem o GT da ANPOLL 2010 de Línguas Indígenas

XXV ENANPOLL
Programação do GT de Línguas Indígenas
Coordenação: Marília Facó Soares (UFRJ)
Vice-Coordenador: Fábio Bonfim Duarte (UFMG)
Local: Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais
Dia 02/07/2010
Manhã
8.30h-8.40h- Abertura da reunião do GT
Temas: Fonética e fonologia. Reconstrução fonológica e gramatical; perspectiva
histórico-comparativa
Sessão 1: 8.40 – 10.30
8.40h a 9.00h - Um caso complexo de mudanças fonéticas na família Pano - Ana Suelly
Arruda Câmara Cabral (PPGL, LALI, NEAZ, IL -UnB/CNPq), Aryon Dall’Igna
Rodrigues (PPGL, LALI-UnB), Paulo Joaquim Maná Kaxinawá (PPGL, LALI-UnB)
Sanderson Castro de Oliveira (PPGL, LALI-UnB)
9.00h -9.20h – O Rikbaktsa no tronco Macro-Jê - Aryon Dall’Igna Rodrigues (PPGL,
LALI-UnB) , Ana Suelly Arruda Câmara Cabral (PPGL, LALI, NEAZ, IL -UnB/CNPq)
Andérbio Márcio da Silva (PPGL, LALI, IL-UnB) Lidiane Szerwinsk Camargos
(PPGL, LALI, IL-UnB) Sanderson Soares Castro de Oliveira (PPGL, LALI, IL-UnB)
9.20h- 9.40h - Considerações sobre o sistema pessoal do Proto-Jê - Aryon Dall’Igna
Rodrigues (PPGL, LALI-UnB), Ana Suelly Arruda Câmara Cabral (PPGL, LALI,
NEAZ-UnB/CNPq) Marcelo Jolkesky (UNICAMP / LALI-UnB), Maxwell Gomes
Miranda (PPGL, LALI-UnB)
9.40- 10.00h- Distinção de gênero na fala do homem e da mulher em línguas Tupí-
Guaraní, com foco especial em Zo’é, Parintintín, Kayabí, Apiaká, Asuriní do Tocantins
e Kamaiurá - Aryon Dall’Igna Rodrigues (PPGL, LALI-UnB), Ana Suelly Arruda
Câmara Cabral (PPGL, LALI, NEAZ-UnB/CNPq) Beatriz Carreta Corrêa da Silva
(PPGL, LALI-UnB) Palto Aisanain Kamaiurá (PPGL, LALI-UnB)
10.00h –10.30h - Discussão dos trabalhos
10.30h-11.00h - Intervalo - Café
Temas: Análise e teoria gramatical I – Construções e categorias gramaticais.
Categorização.
Sessão 2: 11 h -12.30
11.00h- 11.20h - A formação da antipassiva na língua Matis – Rogério Vicente Ferreira
(UFMS)
11.20h- 11.40h - As preposições do Kipeá: um estudo sobre a ecologia das relações
espaciais – Davi Borges de Albuquerque (UnB)
11.40h- 12.00h - Estrutura actancial em Mawé – Dulce do Carmo Franceschini (UFU)
12.00h-12.30h Discussão dos trabalhos
12h30 – Almoço
Tarde
Sessão 3: 14 h – 16.00h
14.00h -14.20h Classsificadores nominais em Yanomami – Tania Clemente de Souza
(UFRJ)
14.20h- 14.40h. Número em Sanapaná – Antonio Almir Silva Gomes (UNICAMP)
14.40h - 15.00h- A’uwe I’wamnari: a categoria de cores em Xavante – Wellington
Pedrosa Quintino (UNEMAT)
15.00h- 15.30h - Discussão dos trabalhos
15.30h-16.00h - Intervalo – Café
Temas: Análise e teoria gramatical II. Estrutura argumental, categorias
funcionais, traços, variação e comparação linguística
Seção 4 : 16.00h - 18.00h
16.00h- 16.20h – Os pronomes e seus traços em línguas da família Pano – Jaqueline dos
Santos Peixoto (UFRJ)
16.20h-16.40h - Subespecificação dos morfemas wa, te e ma em Xavante – Rosana
Costa de Oliveira (UFPB)
16.40 h – 17.00h Transitivização, intransitivização e estrutura argumental em Maxakalí
– Carlo Sandro de Oliveira Campos (UFMG)
17.00h- 17.30h - Discussão dos trabalhos
17.30- 17.50h - Relatório de atividades ligadas ao tema da variação linguística
(variação gramatical) – parte I : questões relativas ao tratamento do tempo -
Marília Facó Soares (UFRJ) (“Anáfora temporal”)
17.50h- 18.00h – Relatório em discussão
Dia 04/07/2010
Manhã
9.00h –9.20h Relatório de atividades ligadas ao tema da variação linguística
(variação gramatical) – parte II : questões relativas ao tratamento do foco
Marcia Damaso Vieira (UFRJ) (“O Indicativo II em foco”)
9.20h- 9.40h Relatório de atividades ligadas ao tema variação linguística (variação
gramatical) – parte III: questões relativas ao tratamento da estrutura argumental
Fábio Bonfim Duarte (UFMG) (“O agente-afetado e suas consequencias para a estrutura
argumental na língua Ka'apor”)
9.40h-9.50h - – Relatórios em discussão
Tema: Revitalização linguística
Seção 5
9.50h- 10.10h- Dois casos de revitalização linguística: Kokáma e Asuriní do Tocantins
– Chandra Wood Viegas (UnB) e Letícia de Souza Aquino (UnB)
10.10h. 10.20h – Discussão do trabalho
10.20h – 10.40h – Propostas de temas para o próximo biênio e moções para
encaminhamento à Assembléia Geral da ANPOLL
10.40h – 11.00h – Eleição da nova coordenação do GT
11.00h- Encerramento dos trabalhos

Laboratório de Psiciolinguística

Visitem o Laboratório de Psicolinguística, há muita pesquisa interessante. Faz parte da Universidade de Lisboa e coordenada pela profa. Dra Maria Armanda Costa.

http://www.labpsicoling.com/investigadores/index.html

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A força do pensamento

O que é e para que serve, afinal, a neurolinguística

Por Yuri Vasconcelos

Se você me permite, vou iniciar este texto sobre programação neuro linguística de uma maneira diferente. Antes de dar qualquer definição, dizer de onde veio e para que serve essa técnica de que tanta gente fala, proponho um exercício de mentalização. É assim: pense em alguém com quem você não se dá bem (como um vizinho ranzinza ou aquele colega de trabalho irritante). Agora, recorde-se da última vez que vocês se desenten deram. Faça um esforço e assista a essa cena de fora, como se fosse um filme. Note as reações de cada um. Tente perceber que recursos, como tolerância, paciência, confiança ou compreensão, teriam ajudado você a agir diferente naquela ocasião. Digamos que tenha faltado paciência. Tente então se recordar de outro momento em que você teve paciência de sobra. Lembrou? Então reviva esse momento como se ele estivesse acontecendo agora, sentindo a paciência (ou outro recurso que você escolheu) tomar conta de você. Transfira agora essa paciência de Jó para aquele outro você (aquele do filme, encrencado com o vizinho) e tente enxergar qual seria seu comportamento se você estivesse se sentindo assim, paciente, naquela ocasião. Aí vem a última etapa, que é pular para dentro do filme, reviver aquela situação difícil com seu vizinho, mas dessa vez agindo de maneira diferente e procurando sentir as diferenças provocadas em você e no outro por conta de sua mudança de postura. Pronto. Da próxima vez que encontrar essa pessoa, você poderá usar essa nova forma de comporta mento e, possivelmente, as divergências entre vocês dois vão diminuir. É o que diz a neurolinguística.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Notícias recentes

Indígenas são um terço dos miseráveis do mundo, diz ONU

ONU diz que 90% dos idiomas indígenas desaparecerão em 100 anos

Um terço das 900 milhões de pessoas que vivem em extrema pobreza no mundo são indígenas, diz um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado nesta quinta-feira.
Reportagem completa

Contrabando é apreendido em reserva indígena de Gramado dos Loureiros
A Brigada Militar flagrou um carregamento de contrabando em uma reserva indígena em Gramado dos Loureiros na manhã desta segunda-feira. A ação ocorreu durante as buscas aos integrantes da quadrilha que assaltou o Banrisul do município, na quarta-feira. Em dois veículos, com placas de Novo Hamburgo, foram apreendidos cigarros e equipamentos eletrônicos, entre eles DVDs, vídeo-games e computadores. Na ação, dois homens foram presos. Eles não teriam ligação com o grupo criminoso procurado pela polícia. Ambos devem ser encaminhados à Delegacia da Polícia Federal de Passo Fundo, conforme o tenente-coronel Gilceu Souza
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19/05/2010 14h53 - Atualizado em 19/05/2010 16h07
Manifestação indígena termina em conflito na Câmara

Uma manifestação de dezenas de indígenas acabou em conflito na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (19). Segundo a segurança da Casa, os índios tentaram invadir o plenário após entrar na Casa por um anexo. Um líder dos indígenas afirmou que o movimento é pacífico e deseja apenas fazer reivindicações relativas à causa.
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terça-feira, 8 de junho de 2010

Redação

É pessoal, a Ed. Abril lançou no mês passado a coleção "Curso Preparatório do ENEM 2010", entre as apostilas há as de língua portuguesa, dentre estas tem a apostila de Redação, o volume 2. Que trabalha alguns aspectos para se construir uma boa redação, que serve tanto para o ENEM quanto para o vestibular. Esta apostila segue o padrão de exigência das redações dos vestibulares da UNICAMP e USP. O material está dividido da seguinte forma: (1)Eixos Cognitivos; (2)Leitura e Palnejamento; (3)Norma Culta; (4)Coesão e Coerência; (5)Qualidade do texto; (6)Uso de cita'c~oes; (7)Recursos de estilo, e (8)Desenvolvimento.

Outras referências sobre redação:
ABREU, Antônio Suárez. A arte de argumentar, Atelie Editoral, SP, 2007
CAMARGO, Thaís Nicoleti de. Uso da Vírgula. Manole, SP, 2005
MOISÉS, Massaud. Guia prático de redação. Cultrix, SP, 1961
JUNKE, Terezinha Kuhn. Pontuação.Editora UFSC, Florianópolis, 2002
MONTEMOR, Luís de.Sobre a Crase. HD Livros, Curitiba,2003
LUFT, Celso Pedro. A Vírgula. Ática, SP, 1985
Português para uso profissional - Normelio Zanotto - EDUCS, Caxias do Sul, 2003.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Curso sobre Nova Acentuação Gráfica em Português

Convite para Palestra na USP

Caros colegas

Convido-os a assistirem à palestra da

Profa. Dra. Madalena Teixeira - Instituto Politécnico de Santarém, Portugal

"O ensino do português para falantes de outras línguas - contributo para o desenvolvimento de competências de escrita".

dia 11/6, às 14h30, na sala de reuniões da Casa de Cultura Japonesa
Abraços,
Rosane

--
Profa. Dra. Rosane de Sá Amado Diretora do Centro de Línguas/FFLCH
Docente da Área de Filologia e Língua Portuguesa Departamento de Letras
Clássicas e Vernáculas Universidade de São Paulo (11)3091-4876
www.fflch.usp.br/dlcv/lport

Dicas de inglês

Se você está procurando um lugar para dicas da língua inglesa, aqui está um BLOG bem legal, onde encontrará coisas relacionadas a gramática, formas de expressão, pronúncia, e muito mais. Vá até lá e se divirta: www.englishexperts.com.br

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Festival Wana

música yawanawá

Depoimento Ofayé

Assista o depoimento da Marilda de Souza (Ofayé).
July 15, 2008Entrevista de Marilda, de origem Ofayé, para a campanha "Cada pessoa uma história, cada história uma língua"

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Algumas leituras recomendadas

BREVE HISTÓRICO DOS ESTUDOS
DAS LÍNGUAS INDÍGENAS BRASILEIRAS
Nataniel dos Santos Gomes (UERJ / UFRJ)

SOBRE AS LÍNGUAS INDÍGENAS E SUA PESQUISA NO BRASIL
Aryon Dall'Igna Rodrigues

Documentação das Línguas Indígenas
Coordenação
Eduardo Guimarães

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A farsa da nação indígena

Home » Revistas » Edição 2164 / 12 de maio de 2010


Antropologia


Na Bolívia, país de maioria mestiça, a ideologia que mistura
nostalgia inca com marxismo levou Evo Morales ao poder.
Muitos índios começam a perceber o engano


Duda Teixeira, de La Paz

VEJA TAMBÉM

Erguida em um vale e nas encostas de uma montanha, La Paz foi feita sob medida para as passeatas, sempre em um único sentido: morro abaixo. Nos últimos quatro anos, a capital da Bolívia foi tomada por demonstrações públicas de apoio ao presidente Evo Morales, à nova Constituição nacional, à expropriação de empresas e aos ataques do governo contra a oposição. Nas últimas duas semanas, ao menos sete manifestações desceram as ruas da capital. Desta vez, porém, as palavras de ordem voltaram-se contra o governo. Entre os que andavam vagarosamente com cartazes em punho estavam centenas de cholas, as descendentes indígenas identificáveis pelas vestes típicas que incluem chapéu-coco, anáguas e saia colorida. Eram mães da cidade de El Alto protestando por ter de complementar o salário dos professores de seus filhos. "Evo deve fazer o que está escrito na nossa Constituição, na qual a educação e o respeito aos índios são uma prioridade", diz o dirigente das juntas escolares Ricardo Huarana, um aimará. Enquanto isso, índios de Caranavi, a 160 quilômetros da capital, bloqueavam uma estrada pedindo a instalação de uma fábrica e a renúncia de um ministro.

A presença de índios nos protestos contra o governo é um fenômeno recente na atual gestão presidencial. Seu crescimento está desmoralizando o nacionalismo indígena, ideologia que nas últimas duas décadas ganhou espaço entre os bolivianos e assumiu uma posição central no discurso populista de Evo Morales. Criado em universidades americanas e europeias e transferido para o altiplano com a ajuda de 1 600 ONGs que atuam na Bolívia, o nacionalismo indígena contém a promessa de tirar da miséria o país mais pobre da América do Sul. O argumento básico dessa forma de indigenismo é a necessidade de eliminar o que os seus ideólogos chamam de "exploração secular de brancos europeus contra índios". Para isso, é preciso empenhar-se em uma luta de classes modificada, na qual o proletariado é substituído pelo índio. "Enquanto o marxismo entende que o operário oprimido possui direitos que estão por cima dos direitos dos demais, o indigenismo concede esse privilégio ao índio", diz o espanhol Alberto Carnero, especialista em América Latina e diretor da Fundação para a Análise e Estudos Sociais, em Madri. No lugar do "capitalismo explorador", o nacionalismo indígena boliviano – o movimento também existe no Peru, no Paraguai e no Equador – propõe o retorno ao Collasuyo, uma das quatro regiões do império inca, que ocupava um terço do território boliviano.

Enfeitada com uma colorida embalagem étnica, essa mistura de mito do bom selvagem de Rousseau com conceitos marxistas deu força a uma linhagem de políticos que até recentemente nunca tinham conquistado mais que 10% dos votos em uma eleição. Um deles foi Evo Morales, um representante dos produtores de folha de coca sem vivência em costumes indígenas, embora descendente de aimarás (veja o quadro abaixo). Morales não falava em retorno ao Collasuyo até 2005, depois de ganhar projeção no país como agitador e de ser descoberto pelas ONGs e pelos teóricos do nacionalismo indígena. Eleito naquele mesmo ano e reeleito em 2009, Morales encampou o indigenismo apenas por conveniência. O verdadeiro ideólogo indigenista do governo é o vice-presidente Álvaro García Linera, um professor universitário que integrou o Exército Guerrilheiro Tupac Katari nos anos 90. O grupo misturava o nacionalismo indígena ao maoismo. Após a posse de Morales, muitos bolivianos que se deixaram encantar por essas ideias começaram a perceber que o discurso nativista era uma farsa. Eles reclamam da falta de abertura democrática, da escassez de perspectivas econômicas e da repressão a dirigentes indígenas.

O nacionalismo indígena foi institucionalizado na Bolívia com a aprovação de uma nova Constituição, em novembro de 2007, dentro de um quartel e sem os representantes da oposição. O referendo que endossou a Carta só ocorreu em janeiro de 2009, depois de muitos conflitos. O texto estabelece que a Bolívia é um estado plurinacional constituído por "36 nações originais de camponeses indígenas". "Cumprindo o mandato de nossos povos, com a fortaleza de nossa Pachamama (mãe-terra, a deusa da fertilidade) e graças a Deus, refundamos a Bolívia", diz o preâmbulo da Constituição. São conceitos artificiais, pois a sociedade boliviana é majoritariamente urbana e mestiça (veja o quadro). Os índios representam apenas 17% da população. Os delírios utopistas do documento constitucional, no entanto, são os que menos causam danos à sociedade boliviana. O perigo maior está no fato de o texto promover o caos social interno ao institucionalizar a chamada Justiça comunitária, que não está submetida à Justiça comum. Há séculos, conselhos formados por anciãos indígenas punem ladrões e assaltantes locais obrigando-os a desempenhar trabalhos forçados. Sanções com açoitamentos eram raras até recentemente. Na prática, a inclusão dos julgamentos comunitários na Lei Magna do país teve duas repercussões. A primeira foi propagar linchamentos entre a população, que agora acredita estar livre para fazer justiça com as próprias mãos. Na Bolívia, há em média um linchamento por semana. Pichações com a frase "Ladrão será linchado" podem ser vistas em vários muros e em bonecos pendurados em postes de La Paz e da vizinha El Alto. Os agressores não são presos nem indiciados porque alegam seguir uma tradição autorizada por lei. A segunda consequência foi ter criado uma brutal arma contra a oposição e ex-aliados de Morales.


"LADRÃO SERÁ LINCHADO"
Os adeptos da Justiça comunitária espalham o terror com bonecos enforcados, como este, em La Paz

Ao valorizar a Justiça comunitária, o nacionalismo indígena enfraqueceu a Justiça ordinária, "eurocêntrica", e deu o aval para que militantes do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido do presidente, investissem contra seus desafetos impunemente. Com isso, a Bolívia tornou-se uma terra sem lei. Um caso recente é o do aimará Felix Patzi, ex-ministro da Educação do governo Morales. Apesar de estar em vantagem nas pesquisas para as eleições a governador do departamento de La Paz, de abril deste ano, não contava com o apoio de Morales. Flagrado dirigindo bêbado, foi condenado pela Justiça comunitária a fazer 1 000 tijolos. Além disso, teve a candidatura inabilitada. Se Patzi tivesse concorrido ao pleito e vencido, isso tampouco garantiria a sua posse. Em Achocalla, cidade a poucos quilômetros de La Paz que vive da produção de hortaliças, o mecânico Pedro Ninaja, um aimará, venceu as eleições para prefeito com 32% dos votos. O resultado foi divulgado no site da Corte Nacional Eleitoral no dia 10 de abril. Cinco dias depois, os números foram alterados para beneficiar o MAS. Votos de uma urna desapareceram. Ninaja reclamou para a Corte, sem efeito. "As pessoas de Achocalla sabem que é uma trapaça. Se continuar assim, Morales não conseguirá terminar o seu mandato", diz Patzi, que apoiou o cocaleiro nas últimas duas eleições presidenciais. Outras punições anunciadas como sentenças da Justiça comunitária são mais bárbaras. Em 2009, o ex-vice-presidente Victor Hugo Cárdenas, um aimará, teve a casa às margens do Lago Titicaca invadida por militantes do MAS. Ele escapou porque estava dando aulas na capital. Sua filha de 16 anos, seu filho e a esposa tiveram menos sorte e foram golpeados com pau e chicote. "A imagem de que esse governo defende os indígenas está desmoronando mais rápido do que se pensava", desabafa Cárdenas. "Os índios perceberam que a vida não mudou em nada, tampouco conseguiram alguma representatividade política."

A desilusão com a promessa de uma nação indígena pode ser aferida de várias formas. Quando iniciou seu mandato, em 2006, Morales contava com a adesão das quatro maiores organizações de índios do país. Já perdeu o apoio de duas delas: o Conselho Nacional de Ayullus e Markas do Collasuyo (Conamaq) e a Assembleia do Povo Guarani (APG). Uma terceira está dividida. É a Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB). A perda de apoio entre os índios também pode ser confirmada pelo crescente número de bloqueios em estradas, greves e passeatas. Antes de assumir a Presidência, havia 55 protestos por mês no país, muitos deles organizados por Morales. A situação acalmou-se nos anos seguintes, já que o presidente controlava os baderneiros. Neste ano, contudo, os distúrbios populares voltaram a patamares semelhantes aos de 2005. Por fim, nas eleições regionais de abril, apesar de ter garantido o controle da maioria dos departamentos do país, o MAS só conquistou a prefeitura de três das dez maiores cidades. "Morales perdeu o monopólio do voto indígena", disse a VEJA o antropólogo Ricardo Calla, da Universidade da Cordilheira, em La Paz. "Sua antiga base agora está dividida, e há índios que se consideram de direita, de centro e de esquerda." Mais do que o retorno a um passado pré-colombiano idealizado, o nacionalismo indígena angariou fãs ao prometer um futuro de harmonia e prosperidade. Na Bolívia, a ascensão de uma ideologia assim é compreensível. Apesar de serem minoria no país, os índios formam 65% da camada mais pobre da população. Agora, eles começam a tomar consciência do fato de que foram enganados.


Aimará e humanista

Fotos Luiz Maximiano


Jaime Apaza, de 70 anos, é dirigente da Confederação Nacional de Nações Indígenas Originárias da Bolívia (Conniob), uma das maiores entidades do gênero do país. Em 2005, fez campanha para Evo Morales. Apaza achava que o cocaleiro iria devolver à Bolívia a grandiosidade do império inca nos tempos pré-colombianos. Logo percebeu que o projeto de nação indígena era só uma desculpa de Morales para centralizar o poder em suas mãos. A desilusão de Apaza começou quando enviou, em 2006, uma carta na língua do seu povo para o novo presidente, oferecendo conselhos como "irmão aimará". Nunca obteve resposta. O líder indígena também se sentiu incomodado com os insultos de Morales contra os brancos. "As palavras de ódio do presidente não estão de acordo com nossas crenças", diz Apaza. "Somos aimarás e humanistas. Não discriminamos ninguém"



Apartheid indígena



Juan Choque, de 37 anos, mora na comunidade Cantapa, em Tiwanaku, com outros 2 000 índios aimarás. O local fica a 20 quilômetros das ruínas da civilização de mesmo nome, extinta antes do surgimento dos incas. O povoado vive da agricultura de subsistência, com plantações de cevada, quinoa e batata. "Quando Morales disse que acabaria com 500 anos de exploração, acreditamos nele", explica. Logo, no entanto, convenceu-se de que a promessa de aumentar a participação política dos índios não passava de uma farsa. Em 2009, Choque tentou criar um partido de oposição, mas foi impedido por policiais a serviço do MAS, que roubaram os livros de assinaturas e o espancaram a coronhadas. "Vivemos em um apartheid social, em que os índios continuam sem representação política", diz Choque



Açoitado até desmaiar



Marcial Fabricano, de 57 anos, é um índio mojeño, uma etnia com 40 000 pessoas. Funcionário da prefeitura de Trinidad, no departamento de Beni, responde pelo atendimento às comunidades indígenas locais. Como os caciques de um desses grupos alegavam que não estavam recebendo as verbas municipais, Fabricano viajou até o povoado para mostrar os comprovantes de repasse. Ao chegar, foi dominado por oito homens do MAS, partido de Morales, e açoitado até desmaiar. Os linchadores anunciaram que haviam cumprido uma sentença da Justiça comunitária, autorizada pela Constituição do país, de 2009. Fabricano passou duas semanas em uma unidade de terapia intensiva em Santa Cruz de la Sierra. "Agora sei que o princípio da Justiça comunitária foi incluído na Constituição para dar respaldo aos atos de violência dos apoiadores de Evo", diz Fabricano. "A verdadeira justiça indígena respeita as pessoas"


Sem independência



Lino Villca, membro da tribo yunga, fundou o MAS com Evo Morales e foi eleito senador da República. Há três meses, Villca criou um partido próprio, com outros cinco ex-parlamentares do MAS, todos indígenas. Mais de 600 pessoas se ofereceram como candidatos do partido, chamado Movimento pela Soberania (MPS). Em quatro prefeituras, o MPS foi impedido de participar do pleito, sem justificativas. Em outras nove, o nome dos candidatos e a foto simplesmente não saíram na cédula. "Os índios são usados por esse governo apenas para fazer passeatas e enaltecer Morales. Se tentam seguir um caminho independente, são reprimidos", diz



Por que Evo não é índio

Mariana Bazo/Reuters

FARSA
Morales ergue os bastões no ritual de posse: dica dos sacerdotes

Evo Morales pode ter cara de índio e nariz parecido com o do condor, como nós. Mas seu cérebro é de branco", diz o aimará Felipe Quispe, que, como o presidente boliviano, se dedicou nos anos 90 a organizar protestos com o objetivo de derrubar governos democráticos. A frase de Quispe ecoa a convicção entre os bolivianos de que Morales, internacionalmente conhecido como "o primeiro presidente indígena da América Latina", não passa de uma farsa. Juan Evaristo Morales Ayma, apesar de ter pai e mãe aimarás, nunca aprendeu a língua dos antepassados e deixou sua cidade natal aos 6 anos de idade. Ele se comunica apenas em espanhol e é solteiro, o que para os aimarás é considerado mau agouro. O desconhecimento dos costumes e das línguas indígenas já rendeu alguns vexames a Morales. Durante um discurso no encerramento das eleições regionais deste ano, na cidade de Achacachi, o público gritava: "Fale em aimará! Fale em aimará!". Morales fez de conta que não era com ele e foi vaiado. Seu candidato à prefeitura da cidade terminou em terceiro lugar na votação. Em janeiro, antes da posse do segundo mandato, o presidente submeteu-se a um ritual para ser ungido guia espiritual indígena, nas ruínas da extinta civilização de Tiwanaku. Após atear fogo às oferendas, deixou o local sem esperar que um sacerdote lesse as mensagens divinas nas chamas, como manda a tradição. Depois, quando algumas crianças lhe entregaram dois bastões cerimoniais, virou-se desnorteado para um sacerdote e perguntou: "O que eu faço com isso?". O que passou pela cabeça de Evo naquele momento é uma incógnita. Na Bolívia, contudo, poucos têm dúvida de que, se ele fosse índio, saberia o que fazer com os bastões... No caso, erguê-los em oferenda aos deuses.

Indígenas têm acesso a novas tecnologias de educação



quarta-feira, 14 de abril de 2004

Indígenas têm acesso a novas tecnologias de educaçãoA utilização de tecnologias que facilitam o aprendizado a distância estão cada vez mais presentes na educação dos índios brasileiros

Foi-se o tempo em que índio era quase sinônimo de isolamento. Neste começo de século XXI, os povos indígenas estão a cada dia mais integrados no mundo globalizado. As tecnologias que permitem o acesso à aprendizagem a distância facilitam a comunicação entre tribos situadas em territórios distantes. Para isso, tem contribuído a atuação da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação (Seed/MEC), que vem desenvolvendo diversas ações nas comunidades indígenas.

Um exemplo são os programas produzidos pela TV Escola, que divulgam a diversidade cultural dos índios brasileiros. Professores indígenas de sete estados (Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Pernambuco, Roraima, Acre e Rio Grande do Sul) passaram por cursos de capacitação para utilizar em sala de aula não só os vídeos da TV Escola, mas também o material impresso de uso pedagógico - e, assim, conhecer um pouco da história deles mesmos.
Gravada em 1999, a série de dez programas Índios do Brasil, da TV Escola, traça um perfil dos índios brasileiros, apresenta a sua relação com a natureza, mostra o problema da demarcação das terras, o contato com os brancos, as epidemias e os direitos do povo indígena. "A série é constantemente reprisada por ser ainda bastante atual", diz Kleber Gesteira, da Coordenação-Geral de Apoio às Escolas Indígenas do MEC. "Os programas atendem bem a uma das diretrizes do Plano Nacional de Educação, que é combater o preconceito e informar sobre as sociedades e culturas indígenas."

Além da série, o programa Salto para o Futuro, também veiculado pela TV Escola, todo ano organiza uma rodada de discussões sobre educação. Este ano, o tema é a formação de professores indígenas. Os debates devem ir ao ar na primeira semana de agosto. Outras produções agendadas para 2004 são os programas Mitos e Lendas Indígenas, com o roteiro já pronto, Formação do Professor Indígena e Povos Indígenas e Tolerância, os dois últimos ainda sem previsão de estréia.

Internet - A internet e o rádio são outras tecnologias que chegam às diferentes tribos. Escolas indígenas de sete estados (Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco e Santa Catarina) começam a desenvolver projetos com o uso da informática. Organizações não-governamentais doam equipamentos e apóiam projetos. Oito escolas indígenas receberam, recentemente, computadores do Programa Nacional de Informática da Educação (ProInfo/MEC) e planejam o uso pedagógico da nova tecnologia.

Na Escola Estadual Indígena Bokimuju, em São João das Missões (MG), os computadores foram instalados no ano passado. Os dois mil alunos começam, este ano, a desenvolver trabalhos no laboratório de informática. Além de servir para o aprendizado pedagógico, os computadores, por meio da internet, facilitam a comunicação na comunidade. Antes, o único meio de comunicação na reserva era o orelhão, em frente à sede da escola.

Professores de quatro escolas indígenas de Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul estão sendo capacitados para utilizar a linguagem radiofônica em sala de aula. O projeto-piloto Educom.Rádio, uma parceria entre a Seed e a Universidade de São Paulo (USP), tem a meta de capacitar professores de 70 escolas do Centro-Oeste em 2004. "O rádio é um instrumento que resgata a oralidade, e como a cultura oral é bastante forte nas comunidades indígenas, ele poderá ser muito bem usado como instrumento pedagógico e meio de expressão'''', diz a coordenadora de Comunicação do Núcleo de Comunicação e Educação da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, Cláudia Lago.

Brasil indígena - Em todo o Brasil, há 414 mil índios vivendo em terras indígenas distribuídos em 220 grupos. Hoje, eles representam apenas 0,24% da população brasileira. Há atualmente cerca de 7 mil professores nas 2.079 escolas indígenas, sendo 85% deles de origem indígena. Desde a década de 70, os índios já lecionavam. Mas só a partir da Constituição de 1988 e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, é que passaram a ser reconhecidos legalmente em suas diferenças e peculiaridades. O Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas, lançado em 1998 pelo MEC, reafirmou o direito ao ensino bilíngüe e a um currículo que privilegia os conhecimentos, os costumes, a história e as necessidades de cada nação indígena.

Fonte: MEC

sábado, 24 de abril de 2010

Concurso Público em MS

Edital 54/2010 – Professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico

quarta-feira, 7 de abril de 2010 17:26

138 vagas distribuídas em Aquidauana, Campo Grande, Corumbá, Coxim, Ponta Porã e Três Lagoas.

Inscrição: 07 de abril a 02 de maio de 2010.
Taxa de inscrição: R$ 53,00.
Prova escrita: 23 de maio de 2010.

Edital 054/2010

Anexo II – Conteúdo Programático

Consultar inscrição

Reimprimir boleto

Recuperar código de acesso por CPF / por RG

Quando não houver indicação de horário de Brasília, a referência de horário a ser considerada é o horário local de Mato Grosso do Sul.

INSCRIÇÃO NO QUADRO ABAIXO

ATENÇÃO: Antes de efetivar sua inscrição, LEIA ATENTAMENTO O EDITAL. Ao se inscrever, estará concordando com os termos nele contidos.

Para efetuar sua inscrição, na lista abaixo localize o cargo desejado e CLIQUE SOBRE O NOME DO CAMPUS escolhido.

Contato: derhu@utfpr.edu.br

terça-feira, 20 de abril de 2010

EDUCAÇÃO

Construtivismo e destrutivismo

"O construtivismo é uma hipótese teórica atraente e que pode
ser útil na sala de aula. Mas, nos seus desdobramentos espúrios,
vira uma cruzada religiosa, claramente nefasta ao ensino"

Minha missão é árdua: quero desvencilhar o construtivismo dos seus discípulos mais exaltados, culpados de transformar uma ideia interessante em seita fundamentalista. O construtivismo busca explicar como as pessoas aprendem. Prega que o processo educativo não é uma sequência de pílulas que os alunos engolem e decoram. É necessário que eles construam em suas mentes os arcabouços mentais que permitem entender o assunto em pauta. Essa visão leva à preocupação legítima de criar os contextos, metáforas, histórias e situações que facilitem aos alunos "construir" seu conhecimento. Infelizmente, o construtivismo borbulha com interpretações variadas, algumas espúrias e grosseiras. Vejo quatro tipos de equívoco.


O primeiro engano é pensar que teria o monopólio da verdade - aliás, qual das versões do construtivismo? As hipóteses de Piaget e Vigotsky coexistem com o pensamento criativo de muitos outros educadores e psicólogos. Dividir o mundo entre os iluminados e os infiéis jamais é uma boa ideia.

O segundo erro é achar que todo o aprendizado requer os andaimes mentais descritos pelo construtivismo. Sem maiores elaborações intelectuais, aprendemos ortografia, tabuadas e o significado de palavras.

O terceiro é aceitar uma teoria científica como verdadeira por conta da palavra de algum guru. Em toda ciência respeitável, as teorias são apenas um ponto de partida, uma explicação possível para algum fenômeno do mundo real. Só passam a ser aceitas quando, ao cabo de observações rigorosas, encontram correspondência com os fatos. Einstein disse que a luz fazia curva. Bela e ambiciosa hipótese! Mas só virou teoria aceita quando um eclipse em Sobral, no Ceará, permitiu observar a curvatura de um facho luminoso. O construtivismo não escapa dessa sina. Ou passa no teste empírico ou vai para o cemitério da ciência - de resto, lotado de teorias lindas.

Não obstante, muitos construtivistas acham que a teoria se basta em si. De fato, não a defendem com números. Obviamente, nem tudo se mede com números. Mas, como na educação temos boas medidas do que os alunos aprenderam, não há desculpas para poupar essa teoria da tortura do teste empírico, imposto às demais. Por isso, temos o direito de duvidar do construtivismo, quando fica só na teoria. Mas o que é pior: outros testaram as ideias construtivistas, não encontrando uma correspondência robusta com os fatos. Por exemplo, orientações construtivistas de alfabetizar não obtiveram bons resultados em pesquisas metodologicamente à prova de bala.

O quarto erro, de graves consequências, é supor que, como cada um aprende do seu jeito, os materiais de ensino precisam se moldar infinitamente, segundo cada aluno e o seu mundinho. Portanto, o professor deve criar seus materiais, sendo rejeitados os livros e manuais padronizados e que explicam, passo a passo, o que aluno deve fazer.

Desde a Revolução Industrial, sabemos que cada tarefa deve ser distribuída a quem a pode fazer melhor. Assim é feito um automóvel e tudo o mais que sai das fábricas. Na educação, também é assim. Os materiais detalhados são amplamente superiores às improvisações de professores sem tempo e sem preparo.

De fato, centenas de pesquisas rigorosas mostram as vantagens dos materiais estruturados ou planificados no detalhe. Seus supostos males são pura invencionice de seitas locais. Quem nega essas conclusões precisa mostrar erros metodológicos nas pesquisas. Ou admitir que não acredita em ciência.

Aliás, nada há no construtivismo que se oponha a materiais detalhados. Entre os construtivistas americanos, muitos acreditam ser impossível aplicar o método sem manuais passo a passo.

Em suma, o construtivismo é uma hipótese teórica atraente e que pode ser útil na sala de aula. Mas, nos seus desdobramentos espúrios, vira uma cruzada religiosa, claramente nefasta ao ensino.



Claudio de Moura Castro
VEJA

Edição 2161 / 21 de abril de 2010


é economista

DIA DO ÍNDIO

Funasa de MS comemora “Dia Nacional do Índio”

A FUNASA (Fundação Nacional de Saúde) de Mato Grosso do Sul, através da Casa de Apoio à Saúde Indígena (CASAI), comemora hoje (segunda-feira) o “Dia Nacional do Índio”, que são homenageados no dia 19 de abril. A recepção iniciou às 10h com um farto café da manhã, servido a todos os pacientes e funcionários. Estavam presentes enfermeiros, psicólogos, a chefe da CASAI Maria Almeida e o Chefe do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Nelson Olazar.

A CASAI atende pacientes indígenas das 75 aldeias espalhadas por todo o Estado que estão em fase de tratamento ou acompanhamento médico. Recebendo em média 45 pacientes diariamente, a instituição oferece também aos acompanhantes, 5 refeições diárias divididas entre café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia. Atualmente, são 33 leitos disponíveis à pacientes que precisam se hospedar, sala de TV com biblioteca e brinquedoteca para as crianças.

De acordo com a responsável pela Casa de Apoio à Saúde Indígena Maria Almeida, essa recepção em comemoração ao Dia do Índio é muito importante para a auto-estima dos indígenas: “Fazemos questão de comemorar junto aos pacientes, essa é uma data muito especial e que não devemos deixar passar sem ser lembrada, eles ficam felizes e satisfeitos”, ressalta.